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terça-feira, 14 de novembro de 2023

AS MINHAS AMIGAS QUE TRABALHARAM COMIGO EM VOLUNTARIADO

Apartir de 24 de Outubro de 2004, funcionou na Escola da Chaveira de Cardigos, um projeto de Escola de artes, onde se realizaram as mais variadas artes: pinturas em vidro, pano, telas e bordados de toda a espécie, bainhas abertas , macramé, trabalhos em escamas de peixe e em estanho, bem como: terceira dimensão, découpage, etc. Tem sido muito gratificante as nossas aprendizagens, em troca de saberes. Aprendemos em voluntariado, tudo grátis. As pessoas que ensinávamos, ensinavam outras. Cada uma se especializava numa das artes e servia, assim, de professora. De salientar que cada uma tinha um dia para confecionar um bolo, que comíamos ao lanche em franca camaradagem.

domingo, 12 de novembro de 2023

VIAGEM DE CAMPINAS AO RIO DE JANEIRO, EM JANEIRO DE 2023

Foi uma viagem deslumbrante à cidade maravilhosa, cheia de encantos mil,cidade maravilhosa, coração do meu Brasil. Vale bem a pena passear, pela linda cidade de Rio de Janeiro e visitar o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor. Pelo bondinho podemos admirar as paisagens encantadoras. Ver as favelas é que foi um pouco mais desagradável.

sábado, 11 de novembro de 2023

QUADRAS ANTIGAS QUE ERAM CANTADAS EM LOUVOR DO NOSSO PADROEIRO, SÃO PEDRO, EM CHAVEIRA DE CARDIGOS

ROTEIRO DAS CAPELINHAS DA CHAVEIRA DE CARDIGOS (Créditos: Soledade Batalha)

Há dias fiz um passeio com o meu marido a que chamei" Roteiro das Capelinhas" Começamos por um sítio a que chamávamos a cruz.Antigamente encontrava-se ali uma cruz de pinheiro. Hoje encontra-se uma capelinha mandada construir por um morador em homenagem aos que já partiram. Depois passamos pela capelinha da Rua da Bica. Desde sempre a conheci lá, em homenagem à Nossa Senhora do Carmo. Foi mandada construir por um morador da Chaveirinha (talvez para cumprir alguma promessa). Na Varja Torta há uma capelinha com o Coração de Jesus. No Velado existe uma capelinha, que já não é a original. Foi construida por um morador como promessa por ter sobrevivido da grande guerra de 1914/1918, em homenagem à Nossa Senhora do Carmo e às Almas do Purgatório, sempre foi de muita devoção. Ainda hoje se vêem lá lamparinas a iluminar as almas. Ao Barroquinho acima encontramos a Senhora do Monte, na casa de um imigrante. No Largo do antigo chafariz, encontra-se o Santo António e o São José, que o dono, com muito bom gosto e criatividade, costruiu uma linda capelinha, que dá gosto ver. Na Maljoga existe a capelinha a São José. Na estrada existe a Capelinha ao Anjo da Guarda. Na Feiteira existe uma capelinha ao Santo Padre Cruz. Para quem gosta de andar a refletir é um bom passeio

AS FONTES DA MINHA ALDEIA, (Créditos: SOLEDADE BATALHA)

Chafariz do largo da aldeia
Antigo chafariz, actualmente desativado e bebedouro de animais
Hoje vou contar um que me foi contado por uma senhora da Chaveirinha, no tempo em que ela andava na escola. Muitas vezes se juntavam ali com os alunos de São Bento. Era no inverno. A aluna tirou os sapatos e atirou-os para o lado de lá e um foi pelo ribeiro abaixo. Houve um tal burburinho que alguns adultos vieram ver o que se passava. Pensavam que algum aluno tinha caido para o poço. A aluna concluiu que tudo acabou bem. Um aluno da Casa Nova de São Bento atravessou o ribeiro comigo às costas (valente). Muitos episódios se passaram ali. Este episódio foi há uns 75 anos.

MÚSICA DE "AI CORAÇÃO" DE MICAT, ADAPTADA PARA O 80 ANIVERSÁRIO DE GRACINDA TAVARES DIAS, CANTADO EM KARAOK

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

IDAS AOS VALES, EM PEQUENA (Créditos: Soledade Batalha)





Hoje apetece-me falar da minha ida aos Vales, 
em criança Logo de pequenita ouvia falar que, 
à noite, se ouvia o barulho dos ferreiros a baterem
o ferro. Ouvia falar na casa grande. Era uma terra
que dava trabalho a muitas pessoas das aldeias à 
volta. Era uma terra que nos foi sempre muito chegada,
não tivessem vindo de lá alguns dos meus antepassados. 
A primeira mulher que vi conduzir um carro, foi uma
senhora dos Vales. As primeiras vacinas que levei, 
foram nos Vales, numa loja ou garagem, penso que
perto do Solar de São Jacinto. A primeira vez que fui
ao dentista, foi num primeiro andar, perto do Solar.
A ida à moagem do centeio, foi aos Vales. O espreitar
os ferreiros, à saída dos Vales era interessante. A ida às
ladaínhas, numa capelinha que havia no caminho que ia
para o Carrascal, mais tarde mudada A ida à missa na
igreja velha. Tenho uma imagem não muito nítida de
ver no largo da igreja uns enfeites e as pessoas a comerem
a sombra das oliveiras. Na igreja, no altar tão bonito com
o São Jacinto e os outros santos. Antes da missa havia uma
senhora que entrava e se ajoelhava, ao cimo da igreja, que
beijava o chão, em respeito ao Santíssimo. Eu admirava-me
como é que as pessoas iam para o coro ao lado do altar,
 se eu não via nenhuma escada. Alguém disse que havia
 uma porta para a rua que era para os ricos não se misturarem
 com os pobres. A igreja estava sempre cheia de gente. 
Diziam que só a "protestanta" não vinha à missa. Hoje
 em dia, quem não vem, alguém os traz. Acabada a missa
 punha-se a conversa em dia. Mais tarde veio o carteiro.
 Depois de tocar a corneta, aproveitava para entregar as 
cartas às pessoas. Era rodeado pelas raparigas que esperavam
carta do namorado. De volta a casa, os caminhos enchiam-se
 de gente. E, assim, os anos foram passando como uma sombra.

JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE EM PORTUGAL

< Assisti à passagem dos símbolos da jornada mundial da juventude na minha paróquia. Foi muito emotivo, muita juventude e muitos adultos. Houve um pequeno cortejo da igreja aos bombeiros, onde foi prestada uma pequena homenagem. É um gosto ver o entusiasmo dos jovense a dedicação. São muito generosos. Isto trouxe-me à memória o grande encontro que se realizouhá 6 décadas atrás, em Lisboa, onde também alguns de nós viemos participar, com entusiasmo próprio dos jovens.Até hoje não o esqueci.Alguém escreveu, penso que, o hino da nossa freguesia: Reina grande entusiasmo por esse país além. Parece até que outra vez, nasceu Jesus em Belém. Vibra vibra juventude Corre corre, pronto pronto Vibra vibra juventude Corre para o grande encontro. Queremos ir a Lisboa Confundir pobres ateus E lá gritar com a alma toda Os novos escolhem Deus. Mocidade cá da Beira Mãos na terra, olhos no céu Não faltes ao grande encontro Que os novos escolhem Deus. Que este encontro de Lisboa, seja um sucesso para promover a paz.

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

ANALFABETISMO

Antigamente nas nossas aldeias não eram muitas as pessoas que sabiam ler e escrever Embora já por volta de 1800 e até antes se encontrassem nas certidões de batismo, assinaturas de pessoas, principalmente homens destas aldeias. Durante a vida, fui ouvindo falar nestes assuntos. Como não havia escola, nestas aldeias de Chaveira, Chaveirinha e São Bento, alguns pais mandaram os filhos aprender a ler, escrever e contar noutras terras. Por volta do princípio do século XX, dois alunos da Chaveira e dois da Chaveirinha foram aprender a ler às Cimadas. Houve ainda um aluno da Chaveira Uma senhora da Chaveirinha dizia que em pouco mais de um mês aprendeu a ler e a escrever. Ensinou-a um senhor seu vizinho Em São Bento, como sabemos, havia o padre Silva Tavares, grande mestre, Eu ouvia falar num senhor que foi para Espanha e de lá para o Brasil e um senhor missionário que esteve na China. Ainda tive a sorte de o conhecer. Pessoas cultas, onde terão começado a aprender as primeiras letras? Era interessante que alguém com capacidade e vontade, angariasse estas informações para conhecimento futuro. Houve ainda um aluno da Chaveira, que foi à escola ao Freixoeiro. Ficava lá toda a semana. Deois pensaram em fazer uma escola. Havia pessoas de São Bento que diziam que a escola devia ser feita no Vale daS Portelas, para ficar mais perto de todos os alunosQuando o meu filho Acabou por ser feita na Chaveira, onde se encontra hoje. Penso que se encontrará lá um livro com informações importantes. Começaram a vir à escola quase só rapazes. Os pais achavam que só eles precisavam de saber ler e escrever. Ainda houve uma altura, pelos anos 50, por iniciativa da professora, aulas à noite, à luz dos antigos candeeiros de petróleo. Muitas raparigas foram aprender e foram a Mação fazer o exame da terceira classe. Para muitas deu muito jeito, para escreverem ao namorado. Alguns rapazes aprenderam as letras na tropa. Não sei em que ano começou a funcionar a escola. Mas ouvi esta expressão a uma senhora da Chaveirinha: "Quando o meu filho mais velho foi para a escola, j+a punha a navalha na cara. Dá para entender." Depois começou a ser obrigatório a ida à escola, de alunos e alunas das três aldeias. Eeram muitos. O pior foi sempre para os alunosque vinham de mais longe, os de São Bento que terão muitos episódios para contar. Mesmo assim, isso não impediu que dos alunos que passaram por esta escola, fizessem cursos superiores e que muitos em Portugal, na Europa, na África ou na Am+erica fossem pessoas de grande iniciativa. Hoje a escola é um lugar onde se encontram senhoras para partilhar saberes, , trabalhos manuais e de lazer. Está muito bem aproveitada. Também agora têm sido aí realizadas aulas do clube sénior do Município de Mação todas as quartas de tarde, em parceria com o projeto escola de artes da escola. tem sido muito gratificante. Assim a escola não ficou ao abandono, desde 2004, altura em que deixou de haver alunos do primeiro ciclo do ensino básico.

OS FORNOS DO PÃO

Nos anos 50, 60, não havia família nenhuma que não tivesse uma seara, maior ou mais pequena, ou uma horta de milho. Depois do grão moído, a farinha era guardada nas arcas. No verão fazia-se o pão de trigo e no inverno as broas de milho. Faziam-se cozeduras nos fornos que algumas famílias tinham e deixavam cozer a quem não tinha forno. Há umas décadas atrás, que me lembre, na Chaveira havia uns 14 fornos. onde existiu Começo pelo da padaria do Velado.(hoje em ruínas). Era grande.Parece que estou a ver duas irmãs com um grande tabuleiro de pão de trigo fino, que depois era vendido na venda, com certeza havia aí mais algum forno, com tanta rapaziada que lá havia. No Monte havia vários fornos, um dos quais muito popular, Ali se faziam muitas cozeduras de pão, os bolos das festas. As pessoas pediam vez para o forno. Era uma azáfama. Primeiro chegavam as mulheres com os molhos de lenha e iam apanhar o varredouro. Era um dia de trabalho (onde existiu este forno, hoje é rua com alcatrão) No Outeiro, havia vários fornos, um dos quais mais usado. Era bom de aquecer, muito acessível. Ali se cozeram muitas cozeduras de pão e muitas cozeduras de pão e muitas cozeduras de bolos fintos dos casamentos. Tinha a porta larga para caber a pá de madeira para os bolos dos padrinhos, que eram grandes. Muitas vezes, depois de mexer o pão, punham - se os tabuleiros de lata com os bolos miúdos de azul e de mel, os bolos das festas. Aí juntavam-se várias mulheres, enquanto nós esperávamos com casca de ovo na mão para fazer um bolinho e rapar o alguidar com o dedo (saudade). Era uma algazarra. Hoje já não se ouve dizer:" ó comadre, empresta-me o seu crescente?", o pedaço de massa que se guardava no cabaço ou no caneco novo. Se era uma cozedura de broa também se ouvia dizer"Posso fazer uma deitada consigo?"e faziam-se duas ou três broas que se punham na mesma fornada e para não se misturarem fazia-se um buraco com o dedo. (este forno já não existe). Hoje a maiorparte das casas têm fornos. muitos deles comprados já feitos. Mas já não se vêem mulheres com tabuleiros de pão à cabeça que deixavam um cheirinho pela rua. não posso deixar de falar nos fornos da Chaveirinha. Conheci dois, um ao cimo da aldeia e outro ao fundo, forno que acendi muitas vezes e deitei belas cozeduras de pão no forno, preparado pelas mãos de uma senhora, muito conhecedora destas lides. Grandes mulheres fizeram o pão que alimentaram muitas bocas nas nossas aldeias e muitas ainda continuam.

terça-feira, 7 de novembro de 2023

APANHA DA AZEITONA TRADIÇÃO E MODERNIDADE




Numa ida à terra para ver como estava a azeitona, verifiquei que uma j+a dá para ir apanhando e a outra ainda está verde. Veio-me à memória os tempos passados. Logo que nos levantávamos já estava em cima da mesa a réstia com a caçola das papas ou couves quentes com pão ou nabos refogados. Tínhamos que sair com a barriguinha composta. Ao meio dia comia-se pão com azeitonas, cebola crua, queijo, umas sardinhas assadas embrulhadas numa folha de couve. Nos ranchos maiores, uma tigela de broas com azeite, sardinhas, azeitonas, broa, não esquecendo os garfos de ferro para molhar as sopas no azeite. Era comer e andar e desembaraçar os queixos para não perder tempo. Na volta que demos para ver as oliveiras (agora de carro), passámos por alguns olivais novos, bem tratados, mas já não de vêem aquelas oliveiras grandes como as do Covão, dos Casaletes, uma no Vale da Carreira em que o dono dizia com muito orgulho " já deu sete sacas com folha", Uma grande parte delas ardeu, outras cortaram-nas para ficarem mais baixas. Quem é que havia, agora para apanhar a azeitona nas varandas de gaios? Nos casais mais abastados havia os ranchos de rapazes e raparigas. Quase sempre os rapazes começavam a cantar ao desafio com as raparigas que andavam no chão a apanhar a azeitona. Cantei uma, cantei duas, com esta já são as três, canta lá tu ó menina, é agora a tua vez. Já que me pedes que cante, vou-te fazer a vontade, eu não sei que gosto tens de ouvir cantar quem não sabe. E, assim, continuava por algum tempo o desafio. Era um tempo de muita alegria. No fim da apanha, faziam-se as filhós em que as raparigas punham linho no meio antes de as fritar para os rapazes, mas, às vezes, calhavam às raparigas. Hoje, já só se ouvem asmáquinas a derrubar a azeitona, mas o azeite continua muito bom. Que corra tudo bem nesta apanha para fazermos uma boa tiborna.

GUERRAS (créditos: Soledade Batalha)

Logo de manhã liguei o rádio e comecei a ouvir falar de guerras. Tantas atrocidades! Por que razão é que as pessoas não se entendem? dizemos nós. Refletindo um pouco, dá para pensar. Nós, que muitas vezes vivemos em guerra connosco próprios, com os nossos e não nos entendemos por pequenas coisas. Estamos num tempo em que parece que tudo está bem. Se vimos que alguma coisa está mal, dizemos logo " isso não é comigo". É sim. Um bom conselho pode evitar males maiores. Muitas vezes, por um chapéu de terra, uma guerra. Abrem-se caminhos onde nunca existiram, uma guerra. Devemos estar atentos ao que se vai passando e chamar a atenção para o que não está correto, evitando uma guerra. NO seguimento deste pensamento dei por mim a pensar: estamos quase no fim do ano. Vou ficar um ano mais velha e, quando passamos de certa idade, ficamos frágeis, como uma bilha de barro, que se cai ao lado, fica em cacos. É altura de eu agradecer às pessoas que me fizeram bem, e pedir desculpa, perdão, às pessoas a quem eu tenha feito mal, para tentar corrigir. Nas nossas aldeias, onde todod nos conhecemos, vamos lá tentar não fazer guerras. Isto é para mim, para ti e para todos. Não quero prejudicar ninguém e esperotambém não ser prejudicada. Vamos lá acabar o ano em paz. Autora do texto: Maria da Soledade Batalha